Quando se vem a ideia de que não se é capaz de fazer alguma coisa, é muito triste. E a forma que ela se constrói para essa ideia surgir é traumatizante.
É bem triste o que venho falar hoje.
Essa semana que passou tive uma experiência traumatizante no ballet. Tanto que pensei de verdade durante uma semana em deixa-lo.
Achei que não fosse capaz de ser bailarina por ter errado algumas coisas (que eu sei fazer) por nervosismo de momento. Fiquei arrasada. Então decidi DESISTIR.
Não foi a decisão mas simples de se tomar, nem a mais feliz. No fundo eu queria continuar e apagar esse dia da minha vida. Mas meu corpo travo, traumatizo, eu não NÃO CONSEGUIA MAIS DANÇAR. Nem como sempre fazia (e acho que a maioria das bailarinas e bailarinos fazem) andar dançando pela casa. Meu coração sentia um aperto se eu tentasse, e meu corpo não obedecia minha mente se ela me mandasse dançar.
Foi uma semana bem triste em relação a isso.
Mas graças a meu namorado, minha mãe e alguns amigos (Principalmente os dois primeiros, foram cruciais. Me ajudaram de uma maneira que nunca poderei agradecer devidamente), hoje posso dizer que não vou desistir de um sonho de anos, por um dia infeliz. Aprendi que a luta de uma bailarina não é somente em ensaios para perfeição de passos, nem interpretação deslumbrante de um personagem. Mas somando a tudo isso tem a parte emocional, que uma bailarina precisa ter sob controle. Para a fragilidade desta não prejudica-la em dias importantes, para ter garra e poder passar por cima de obstáculos que sempre aparecem e claro ser feliz no que faz mesmo com as cobranças constantes sobre si.
Com a decisão tomada de NÃO DEIXAR O BALLET. Venho aqui não para queixar-me, mas para tentar ajudar a quem um dia poderá passar pelo que passei, ou quem sabe alguém que já passou. Dizer que obstáculos aparecem, e vontade de desistir dos sonhos sempre aparecerão. Mas os sonhos devem ser mais altos e a esperança deve prevalecer. E quando a tristeza for tão grande quanto foi a minha, é nessa hora que vemos as pessoas que realmente nos amam de verdade. Aquelas que não desistem dos nossos sonhos quando nós mesmos deixamos de acreditar neles, que nos ajudam a limpar as lagrimas para podermos enxergar com clareza nossas decisões e que acreditam em nós, do jeito que somos com nossas perfeições e imperfeições. Que nos fazem o ser humano perfeito para lutarmos por um sonho... para ser feliz.
Nesse momento que passei da minha vida, existe uma música e um poema que retrata-o perfeitamente da melhor forma possível. Então se hoje você pensa em desistir de seus sonhos, sejam eles quais forem, escute essa música e esse poema. E faça o que o seu coração mandar.
Sonhar mais um sonho impossível Lutar quando é fácil ceder Vencer o inimigo invencível Negar quando a regra é vender
Sofrer a tortura implacável Romper a incabível prisão Voar num limite improvável Tocar o inacessível chão
É minha lei, é minha questão Virar este mundo, cravar este chão Não me importa saber Se é terrível demais Quantas guerras terei que vencer Por um pouco de paz
E amanhã se este chão que eu beijei For meu leito e perdão Vou saber que valeu Delirar e morrer de paixão
E assim, seja lá como for Vai ter fim a infinita aflição E o mundo vai ver uma flor Brotar do impossível chão
"Eu tenho uma espécie de dever,
de dever de sonhar,
de sonhar sempre,
pois sendo mais do que
uma espectadora de mim mesma,
eu tenho que ter o melhor espetáculo que posso.
E assim me construo a ouro e sedas,
em salas supostas, invento palco, cenário,
para viver o meu sonho
entre luzes brandas
e músicas invisíveis."
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